O dia 23 de abril, escolhido como o Dia Mundial do Livro, marca o “aniversário de morte” de três grandes autores: Miguel de Cervantes, Inca Garcilaso de la Vega e William Shakespeare. Embora separados pelo tempo e pela geografia, cada um deles tem sua importância na história da literatura. No entanto, ao tratarmos de Cervantes e Shakespeare, é preciso falar também de sua enorme influência.
A obra máxima de Cervantes, Dom Quixote, penetrou de tal forma o imaginário das gerações que a leram que passou a influenciar ideais éticos e filosóficos, além de transcender os limites da literatura, tornando-se presente em diversas formas de arte. Uma das citações mais famosas do livro é a fala do personagem a Sancho Pança, seu fiel companheiro:
“A liberdade, Sancho, é um dos bens mais preciosos que os céus deram aos homens; não se lhe podem igualar os tesouros que há na terra, nem os que o mar encobre...”
Por outro lado, falar de Shakespeare é como falar de alguém que sempre fez parte de nossa vida, ainda que de forma indireta, mas sempre presente. Como um ancestral que evoca um passado longínquo e que gostaríamos de ter conhecido. Em suas peças, retratou o amor, o ódio, a cobiça, a inveja e a loucura, enfim tudo o que nos torna humanos, de tal maneira que sua influência ultrapassa o teatro.
Se pensarmos, por exemplo, na cultura inglesa, Shakespeare foi responsável por popularizar e até criar palavras que ainda hoje são usadas no idioma. O Oxford English Dictionary atribui a ele milhares de termos presentes na língua inglesa atual. Sua influência é tamanha que, em número de citações, Shakespeare perde apenas para a Bíblia.
Abordando temas como história, filosofia, romance e humor, entre tantos outros, sua obra é inesgotável. E não foi apenas dramaturgo, há também o poeta.

(imagem gerada por IA - Gemini, 2026)
Encerro este breve texto com o Soneto 116, meu preferido:
Soneto 116
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
- William Shakespeare.
Texto por Maira. Traça 2026.