Desde sempre tive paixão pelos livros. As bibliotecas, para mim, eram mundos insólitos a serem descobertos; cada livro, uma pequena janela esperando para ser aberta.
Um dos primeiros que li foi As Aventuras do Avião Vermelho, de Erico Verissimo. E, antes que me corrijam, é assim mesmo que se escreve o nome do genial autor da saga O Tempo e o Vento: sem nenhum acento.
Voltando ao livro, foi nele que acompanhei as peripécias do menino Fernando e de seus companheiros, o ursinho de pelúcia Ruivo e o boneco Chocolate. Durante a leitura, vi, maravilhada, minha hipótese secreta sobre a Lua ser retratada tanto no texto quanto nas ilustrações lindamente desenhadas por Vera Muccillo.
No cinema, uma das minhas lembranças mais antigas é do filme A Máquina do Tempo, baseado na obra homônima de H. G. Wells e estrelado por Rod Taylor e Yvette Mimieux. O filme foi lançado em 1960 e eu nasci alguns anos depois; portanto, quando o assisti, já era uma reprise. Embora muito pequena, fiquei impressionada com a história e com a possibilidade de viajar no tempo, fosse para o passado ou para o futuro.
Na verdade, eu já era nerd sem saber que isso tinha nome. Mas tanto o conceito quanto a palavra já existiam havia muito tempo. Embora não se tenha certeza da época exata de seu surgimento, a hipótese mais aceita é que o termo tenha surgido nos Estados Unidos. Inicialmente, estava relacionado à cultura estudantil norte-americana e possuía conotação pejorativa. Era utilizado para definir jovens no início da puberdade ou na adolescência que apresentavam dificuldades de interação social, afastavam-se dos esportes, em grande parte por seu caráter coletivo, e preferiam dedicar-se à leitura e aos estudos, encontrando nessas atividades diversão, descoberta e desenvolvimento. Também era usado para designar pessoas consideradas muito inteligentes, com grande interesse ou até obsessão por assuntos vistos pela maioria como excessivamente complexos ou pouco atraentes.
Dessa forma, criou-se um estereótipo que frequentemente retratava indivíduos muito magros ou muito gordos, usando óculos grossos e sem grande preocupação com moda ou estilo.
Aqui no Brasil, a gíria equivalente é CDF. Durante muito tempo, ela também teve conotação pejorativa, mas, assim como o termo em inglês, seu significado foi se modificando e se adaptando à realidade social. Hoje, tanto “nerd” quanto “CDF” são considerados termos neutros por muitos e, em diversos contextos, até elogiosos.
Com a evolução do conceito, surgiram ainda diversos subgrupos. Além do clássico nerd, temos os otaku, associados ao universo dos animes e mangás, e os geeks, mais ligados à tecnologia e à cultura pop. Vivemos em uma época de maior tolerância às diferenças ou, ao menos, de busca por ela. Soma-se a isso a existência de um mercado crescente e de inúmeros eventos voltados para esse público, o que contribuiu para popularizar o segmento e afastar a antiga imagem dos solitários. E que bom que as coisas mudam!
Aliás, aproveitamos o Dia da Toalha, também conhecido como Dia do Orgulho Nerd, para incluir novos títulos em nosso acervo e publicar conteúdos relacionados ao tema. E estamos voltando ao assunto porque o dia 24 de junho marca o Dia do Disco Voador e também o Dia Mundial da Ufologia.
Portanto, “vida longa e próspera”! Que venham novos tempos, novas tecnologias e novas descobertas. E que, como seres humanos, saibamos utilizá-las com responsabilidade, sabedoria e critério.
(imagem: filme A Máquina do Tempo - 1960)
Texto por Maira. Traça 2026.