Fuçando os arquivos da antiga Revista da Traça, encontramos um texto maravilhoso do ilustrador e blogueiro Pirineu chamado “Cinema Sci-Fi: 7 lançamentos”. E sinceramente? É praticamente uma cápsula do tempo da ficção científica moderna, cheia de comentários ácidos, referências nerds e aquele entusiasmo caótico que todo fã de sci-fi conhece bem.
Logo no início, Pirineu comenta como 2014 e 2015 estavam entregando uma “boa safra” de filmes sci-fi, alguns mais “orgânicos” e outros “cheios de agrotóxicos”, mas todos carregando aquela essência clássica da ficção científica: robôs existencialistas, invasões alienígenas, aventuras espaciais absurdas e ideias completamente malucas que somehow funcionam.
Entre os destaques está Automata (2014), descrito por ele como uma espécie de Eu, Robô alternativo, onde os androides não aparecem exatamente como vilões, mas como criaturas tentando encontrar propósito em meio ao colapso humano. Já Ex Machina (2015) ganha espaço como um thriller sci-fi “algo bizarro”, explorando inteligência artificial, manipulação e sedução tecnológica de um jeito desconfortavelmente inteligente.
Pirineu também fala sobre Chappie (2015), do mesmo diretor de Distrito 9, resumindo o longa quase como “a triste história de um robô bonzinho perseguido pelo bullying dos humanos”. E honestamente? Depois dessa definição fica difícil enxergar o filme de outra forma.
Quando o texto entra no território das invasões alienígenas, o clima muda completamente. Monsters: Dark Continent é comparado a um game militar filmado, cheio de soldados enfrentando criaturas gigantes no deserto, enquanto Extraterrestrial mistura terror sci-fi com a clássica fórmula de jovens isolados numa cabana, só que dessa vez os assassinos vêm do espaço.
Já Jupiter Ascending, das irmãs Wachowski, é tratado quase como uma grande aventura sci-fi “para toda a família”, recheada de naves extravagantes, criaturas digitais e aquele exagero visual delicioso que lembra campanhas de RPG espaciais. E claro: Pirineu ainda faz questão de lembrar que Sean Bean está no elenco, o que praticamente garante algum sofrimento dramático no roteiro.
Mas nada supera o encerramento com Iron Sky: The Coming Race. O filme, que já parte da ideia de nazistas escondidos no lado oculto da Lua, resolve aumentar o caos incluindo reptilianos, Terra Oca e Hitler montado em um tiranossauro. Pirineu define tudo isso perguntando: “Alguém já conseguiu reunir tanta abobrinha num só filme?” E talvez essa seja justamente a magia da ficção científica.
Reler esse texto hoje é quase como encontrar uma velha fita VHS perdida entre quadrinhos numa estante empoeirada do nosso depósito. Uma lembrança perfeita de como a sci-fi consegue ser filosófica, absurda, divertida e completamente sem limites ao mesmo tempo.